Avientame - Cafe Tacuba



Desejos vãos
(Florbela Espanca - Livro de Mágoas)

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

3 comentários:

Anderson Cádor disse...

É, meu caro, a velha coisa das duas faces...

Abraço amigo, amigo.
Cádor

Lorena disse...

Ah, Florbela... e o mundo de Florbela. Quando a gente acha que ela via apenas um lado da moeda (o mais triste e melancólico, coitada), lá vem ela com esse poema...

Você sabe o quanto ela é importante pra mim. E eu amei vê-la estampada aqui. =)

beijos!

E como o número de posts cresceu nesses dias!

Leandro Neres disse...

Lorena,
Sempre quando leio Florbela penso em ti.

Cádor,
Um forte abraço, obrigado por estar sempre aqui.