Um texto despretencioso qualquer.


Falo da minha mania de correr riscos. Quando tudo vai muito bem, vou lá, não resisto, procuro uma desordem e mostro absurdos, os meus ou seja lá de quem for. Vai ver que é porque não gosto de gente certinha, sem erros, programadas a não sofrer ou a não viver suas verdades. Incomoda-me namorada perfeita ou boazinha demais. Incomoda-me emprego quadrado. Sabe esses gordinhos com terno, gravata, óculos e um sorriso besta na cara? Gosto mesmo é da tensão. Foi assim, aos 19 anos, eu e meu colega Isaías, vistos como os bonzinhos da turma resolvemos falar o que pensávamos e agir como pensávamos. Foi o caos. Em menos de três meses o folgado do presidente antigo do C.A teve que tirar sua imbecilidade reacionária e reconstruímos o caos necessário, conflito entre estudantes e um corpo corrupto de professores, que mais tarde, dois dentre eles, saíram estampados em fotos de jornais. É disso que eu gosto. Da tensão. Foi assim que pronunciei-me a favor da discriminação positiva e atirei pedra no vidro. Um foda-se acadêmico juvenil. Durante três anos estivemos lá e apoiávamos qualquer causa que apontasse uma pessoa ferida e uma injustiça. Da restituição de taxas indevidas a denúncia de corrupção no repasse de verbas. Até a menina que dava pro professor e ganhava alguns bônus entrou na dança. Foi demais! Foi assim também que um caça as bruxas foi instaurado e muitos perderam suas bolsas de estudo. Não diferente pra mim. Mas era êxtase puro, estar numa reunião, ver a cara vermelha daquele professor arrogante querendo nos derrubar e não conseguir, dias de glória. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida quando li o relatório dos estudantes na avaliação daquele careca, lembro até hoje da frase final, aprovamos a renovação do professor X com fortes recomendações e ressalvas... Nunca ri tanto por dentro. Foi nessa coisa minha que fiz aquela proposta e me diverti com elas, era um desejo de meses e consegui, inacreditável. Tudo isso eu, homem de modo tímido e jeito calmo. Tenho vergonha, mas tem hora que é incontrolável.

5 comentários:

Letícia disse...

Como diz a minha mãe: "Vergonha é roubar e não poder carregar". Você foi lá e chutou o pau da barraca. Agiu contrário às regras e sentiu alívio. Também não gosto de gente quadrada. Me parece serem as piores pessoas porque são falsas e ainda não gosto de dança dois pra cá, dois pra lá. Eu gosto de um certo caos. Esse que você criou quando era estudante.

That's it, Coltrane.

Lorena disse...

Então é essa a sua vergonha inconfessável? pois eu acho muita coragem. As duas coisas, tanto enfrentar a vida e as outras pessoas nessa história toda que parece até um filme, quanto enfrentar vc mesmo e postar esses setimentos aqui.
Você pode sentir vergonha, mas eu tenho é orgulho e uma pontinha de inveja da sua coragem. Falo mesmo, hombre, vc é um cara de raça! =)

Thais disse...

Ai Lê! Eu vi tudo.. Senti tudo.. Como se eu tivesse lá! Adoro essa sede que algumas pessoas tem de mudar o mundo.. E vão lá e.. MUDAM :)
Adoro!!!! =D

Thais disse...

Bom te ver aqui de volta, Leandro :)

Éverton Vidal disse...

Pouha!
Sem mais, muito bom!