Depois da estação.

Foi lá, depois da estação de trem. Como num quadro pintado por um ambulante. Com um cotidiano qualquer, atravessou. Entre crianças chorando no chão e um velho pitando seu molhado paiêro, avistou. Não eram prodígios, nem se tratava de um Souza Paiol. Ela se foi.
As palavras sufocaram-lhe por um tempo. Engasgado com a resignação de uma conquista perdida por rotas distintas. E pensou consigo mesmo, a praça Santos Dumont não pode ser obra do acaso. Foi bem ali que Bia conheceu seu amor e não poderia ser em outro lugar.
Onde estaria guarda José senão na praça ferroviária? E continuou a passos largos, com uma sensação de alívio. Já que amores ocorrem em lugares quaisquer, por que não naquele postal quase antigo? Vive de novo! Em paz.*

A estação original em 1919.

A segunda estação em 1922.
A estação, foto sem data.**

*Baseado em fatos reais, os nomes são fictícios.
**Fotos retiradas de http://www.estacoesferroviarias.com.br/ms_nob/tres.htm




11 comentários:

Alice disse...

Comentando por comentar...

Jamais faria isso. Só falo do que gosto. Seus textos, alguns, têm essa coisa histórica. Você tem essa habilidade de resgatar acontecimentos - fictícios ou não. Acho até que não saiu assim, só por escrever. Tá bem elaborado. É literário sim porque é escrito com o objetivo de entreter e fazer sentir e pensar. Eu li e gostei. Só daria uma olhada em acentos e coisa e tal porque tem gente que só vê erro e nunca o que fazemos de bom.

Tô contigo e não largo.

Gosto da sua literatura de igreja antiga e cidade pequena.

Bjs da amiga que ouve John Coltrane,

Letícia

E sua rádio tá boa d+. Vou ficar aqui... só ouvindo música que dá vontade de fugir para o Mississipi.

Alice disse...

Hey,

Não sou chata. Vou ser sincera. Acho que blog mesmo só leio uns dez no máximo e comento em cinco. É que não gosto de falar por falar. Visito a Camilla, a Paloma, a Narradora, a Luci, o Germano, a Lorena, a Zélia, você e o Vidal que agora não escreve mais :T e por aí vai. Leio o que gosto e aprendo com cada texto que leio.

Bjs e conotações literárias.

...

Leandro Neres disse...

Nossa, já valeu o blog saber que minhas coisas estão entre as poucas que comenta. Puxa, obrigado, sou seu admirador literário incondicional.
Admirações conotativas 8)
Bjs

Lorena disse...

Que texto! É pequeno, mas diz tanto... É itneressante isso, né? Como com poucas palavras nós conseguimos dizer tanto, tanto.
E além disso me passou um sentimento já conhecido de nostalgia e saudade do que ainda está por vir... Algo que já foi de doer, mas que hoje em dia é uma lembrança boa.

Essa estação, a primeira, parece muito com a estação daqui. Acho que a daqui não chegou a evoluir, parou mesmo na arquitetura da década de 20. =P

beijos!

Leandro Neres disse...

Profi Let,
Mudei o marcador e tentei arrumar umas coisinhas no texto, mas sei que tem coisa errada, mas não sei consertar, então fica assim mesmo :)

Leandro Neres disse...

Loli, fiquei curioso pra conhecer a estação daí, adoro paisagens antigas ;)
Bjs

Papoila-das-praias disse...

Nossa, que mágico isso...
Sempre achei ferroviárias lugares mágicos, palcos pra grandes encontros...
por que não de grandes amores?

Lindo! Parabéns! :D

Amigao disse...

Me fascinam imagens de estações de trens e rodoviárias.
Eu bem imaginei que nestes lugares poderiam acontecer inumeras histórias de amor eu mesmo já fui personagem de uma.


Abração do amigão

Germano Xavier disse...

Para uma história, sempre um lugar.

A fotografia é a pela da palavra.

Abraço, meu amigo.
Germano

NANDO DAMÁZIO disse...

Me fez lembrar uma viagem que fiz de trem na adolescência pela Serra de Paranaguá...
Em cada estação, uma nova emoção!

Abraço, poeta!

NANA disse...

Me fascinam imagens de estações de trens e rodoviárias.[2]

Eu tenho pensamentos um tanto quanto loucos. Vira e mexe eu fico olhando as pessoas na rua e imaginando a vida da pessoa. Pra onde ela vai, de onde vem, o que pensa, que tipo de problemas ela tem, que´tipo de dor já sentiu, se é casada, solteira, feliz, mãe, filha, se trabalha, se estuda, onde aquela pessoa gostaria de estar naquele momento. Tá, sei que é loucura imaginar a vida de um desconhecido qualquer na rua, mas eu sou meio doida mesmo.

Beijos Leandro